
Tive um pensamento meio estranho...
Estava em algum tipo de sala, era redonda e tinha varios tronos nesse lugar.
Em cada trono eu via pessoas sentadas, todos ali estavam com a cabeça baixa, pareciam meio cansados e abatidos.
Fixei o olhar em um daqueles seres que sentavam àqueles tronos, ele usava uma túnica branca, amarrada na cintura com uma corda, aparentava uns trinta anos mais ou menos, tomei coragem e perguntei:
- Quem é você?
Ele levantou a cabeça, e me olhando respondeu:
- Vocês me deram o nome de Jesus, sou aquele que vocês chamam filho de Deus, veja, aqui perto do meu trono estão meus apóstolos, aqueles que me difamaram mais ainda após minha partida.
Estava surpreso, primeiro ao ver que na verdade ele não estava abatido, só estava firme, seu olhar denunciava não um cansaço de si mesmo, mas sim de algo que eu ainda não podia compreender...
- Se você é Jesus quer dizer então que morri e que estou no céu?
Com certo escárnio ele me respondeu:
- Céu? Isso é mais um delírio da sua mente meu caro amigo, por acaso ja olhou ao seu redor? Se não, por favor, fique a vontade para falar com meus companheiros.
Delírio da minha mente?
Era real demais esse delírio, eu podia até tocar aquele ser.
Aceitei o conselho do filho do homem e olhei para o próximo trono.
Ali sentava um senhor, aparentava uns cinquenta anos, porém com muito vigor.
Ele tinha uma barba branca, estava com um elmo na cabeça, e usava um tapa olho.
Ao seu lado um cavalo de oito patas, e um corvo de cada lado do seu trono.
- Suponho que você seja...
Ele levantou, e falou antes de eu terminar:
- Sou o guerreiro Odin, governante de asgard e senhor de todas as magias, antes de tentar conversar comigo é melhor observar sua língua rapaz, você não é digno de falar com Odin, sua raça não sabe o que é a verdadeira coragem, sua raça vive se arrastando, e chamam isso de vida, quase nenhum de vocês morrem com dignidade, o Valhala esta muito longe de vocês.
Após essa recepção tão amigável, resolvi não dirigir mais palavras aquele senhor tão austero.
Olhei para o trono seguinte, ali estava um senhor de barbas brancas também, vestia uma túnica, um olhar austero também dele, porém parecia mais calmo. Acho que sabia quem era ele, resolvi arriscar:
- Você é Zeus, filho de cronos estou correto?
- Correto humano, sou Zeus, governante do monte olimpo, aprisionei os titâs, e junto com eles meu pai cronos.
Se existissem mais humanos que ainda soubessem da nossa existência, quem sabe ainda poderiamos dar mais cor ao seu mundo tão cinza.
Mas prossiga, há muito o que ver, esclarecimentos poderão ficar para mais tarde.
Fiquei um tanto calmo quando fui recebido por ele, segui para o próximo trono.
Ali estavam seres de corpo humano e face animalesca, um deles tomou a frente, a cara de cachorro que tinha era sombria, ele falou:
- Sou anubis, eu que peso o coração dos homens, e dependendo do peso destruo suas almas, falo em nome de meus irmãos e semelhantes, um dia habitamos fortemente o seu mundo, mas vocês nos esqueceram, vocês nos criaram, e vocês nos esqueceram...
Só ao ouvir a primeira palavra dele, ja estremeci, aquela voz era assustadora.
Dei uma olhada para o restante de tronos, porém não acabavam, conhecia alguns ali, das leituras que ja tive oportunidade de ter.
Me pareceu ter visto, tupã, vi um deus que pelas suas vestes imagino que devia ser inca ou maia, vi deuses africanos com suas vestes, vi deuses indianos, com suas faces animalescas, e não se acabavam, ali me parecia habitar todos os Deuses que a humanidade ja tinha criado.
Fiquei a pensar comigo mesmo, que lugar seria aquele?Um tipo de céus dos deuses? a cova deles? Que lugar era aquele?
- Sabe que lugar é esse meu amigo?
Quem dizia era Jesus.
- Aqui é sua consciencia meu caro, ou você pensa que sabe só o que viu, viveu ou leu? Nela existe o registro de tudo que sua espécie ja passou.
Por isso você vê Deuses que nem ao menos imaginava existir.
Quando ele me disse isso, tudo se tornou mais claro, e comecei a planar por cima de todos aqueles tronos, e todos eles, todos os deuses, os grandes e pequenos, os poderosos e os humildes, todos eles agora eram nada mais do que formigas que eu via ao longe.
Cheguei a uma nova sala.
Ali tinha um outro ser, ele não tinha face, nem um corpo físico, só sei que sentia sua força e presença forte demais.
Ele se apresentou muito calmamente:
- Vocês humanos deram nomes a mim, vocês me chamam tempo, ou eternidade.
Saiba que meu conceito do que chamam vida, nem os deuses que vocês humanos acreditam ser tão fortes poderiam chegar a compreender.
Aquilo que vocês chamam vida, jamais poderá chegar, nem em gerações, perto daquilo que sou.
Eu sou, eu estou, e permanecerei...
Permanecerei sobre o tudo, permanecerei sobre o nada.
Falo usando os significados que vocês humanos deram as coisas, mas na verdade, você jamais poderá me conceber, apesar de todos os seus esforços...
Saiba que você é privilegiado em poder chegar perto da minha força, porém fique sabendo, que se tentar dividir com os seus iguais a experiência que teve, será em vão, eles jamais irão ao menos tentar chegar aos pés do pico dessa montanha chamada busca.
Sabe porque?
Esqueceram quem são, esqueceram de onde vieram, e pior, por escolha própria.
Agora choram fingindo contentamento, acham que são diferentes de seres das outras eras, porém são a mesma coisa, com instrumentos diferentes em suas mãos.
Agora lhe pergunto, o que queres comigo? Por que me buscas?
- Buscar? Pensava eu comigo.Não busco nada, só quero viver minha vida.
Ele me intemrrompeu.
- Se estás aqui comigo é porque sembre buscou meu caro.
Você até que tenta fugir de si, mas isso é o que você é.
És um buscador, como todos de sua raça, apesar de que apenas alguns de vocês realmente se tocarem daquilo que são, e principalmente acreditarem para que nasceram.
Estava amendrontado com aquele ser, apesar disso me sentia muito tranquilo em questiona-lo, e perguntei:
- Por que vocês se preocupam com nós? Se estão tão preocupados, porque nos deixam cair em tantos erros?
Ele me respondeu:
- Talvez não sejamos nós que nos preocupemos tanto quanto a vocês, talvez sejam vocês mesmos que estão a usar-nos como desculpas para o caminho que resolveram tomar.
Caro amigo, estamos aqui antes de vocês, e esse antes vocês não conseguiriam colocar em seus números humanos.
Nossa fisiologia não caberia nos seus livros, alias, não caberia ao seu mundo.
Não somos qualificaveis, nós apenas éramos, somos e seremos.
Somos o que jamais compreenderão, somos o além dos seus deuses, nem eles conseguiriam nos conceber.
Entende humano?
Só o fato de ter chegado perto de mim, poderá lhe custar a vida, entre os seus, será dado como louco, desapropriado, não cabível, fracassado e vários outros adjetivos que vocês criaram.
Eu não diria uma preocupação com vocês, isso soa paterno demais, e isso pode ter certeza que não sou.
Eu diria que fico feliz e ao mesmo tempo abismado, como podem ser tão interessantes esses seres.
Uma curtissima vida, e se debatem, e choram, e correm, quando no fim é tão clara a resposta.
Após isso comecei a pensar:
A resposta. Ele tem a resposta para vida?
Ele ouvia o que eu pensava, os ouvidos daquele ser, que eu não conseguia nem imaginar o que era, captava meus pensamentos como um ouvido humano capta as vozes.
- Tenho a resposta assim como todos vocês tem.
Se pudessem conceber o que vocês chamam de tempo, quem sabe se dariam conta do quão simples é.
Não me cabe dize-la, pois tu sabes.
Após isso, comecei a cair, cada vez mais rápido, e de repente estava na minha cadeira, com meu violão aos braços e olhando para o nada.
Emanoloko